Alberto Korda (1928-2001) “Conhecido, desconhecido”

© Alberto Korda “Che Guevara”

Exposição «Korda» na Cordoaria Nacional dia 2 de Dezembro – Lisboa

Pode uma fotografia e uma revolução esconder todo o trabalho de um fotógrafo durante anos? Não mais, diz Catarina Mendonça Ferreira, que espreitou a exposição dedicada ao fotógrafo da revolução cubana, Alberto Korda.

No momento em que Alberto Korda apontou a objectiva da sua máquina fotográfica para Che Guevara, durante um funeral de soldados cubanos mortos num ataque terrorista, em Março de 1960, não poderia prever o impacto que essa fotografia do líder revolucionário iria ter no mundo inteiro.

Desde então, a fotografia que levou o nome de Alberto Korda além-fronteiras, tornou-se o símbolo do humanismo revolucionário em todo o mundo, tendo sido reproduzida em todos os formatos possíveis e imaginários: t-shirts, canecas, tatuagens. O resultado era mais do que previsto, a fotografia perdeu todo o sentido do seu contexto original: a Revolução Cubana.

Segundo Cristina Vives, comissária da exposição que agora inaugura na Cordoaria, esta mostra pretende libertar Korda do peso histórico desta fotografia e revelar um artista com uma obra muito mais vasta e complexa do que aquela que o mundo conhece. Alberto Korda (Havana, 1928 – Paris, 2001) não foi apenas o fotógrafo que retratou Fidel Castro e Che Guevara no contexto da revolução cubana. As 200 fotografias seleccionadas de entre milhares de fotogramas do autor e retiradas de arquivos pessoais de vários amigos e colaboradores e que agora são reveladas revisitam uma década na vida e na carreira do fotógrafo (1956-1968), e abrangem temas diversos como a actividade criativa dos Studios Korda, a moda, o povo, a mulher, o mar e os líderes revolucionários. As imagens mais conhecidas foram intencionalmente deixadas de fora.

A maioria das fotografias dos Studios Korda que conhecíamos até agora foram aquelas que puderam ser resgatadas durante o confisco de propriedades por parte das autoridades revolucionárias, a 14 de Março de 1968. As que agora se mostram na Galeria da Cordoaria nunca foram exibidas anteriormente. São o resultado de um trabalho de pesquisa histórica dos 50 mil preciosos negativos de Korda que estavam no Arquivo Histórico do Conselho de Estado de Cuba, levado a cabo pela comissária da exposição Cristina Vives. Foram igualmente consultados os arquivos pessoais do fotógrafo, o seu epistolário familiar e conduzidas algumas entrevistas que permitiam desvendar o homem para além do fotógrafo. “Neste processo encontrei um Korda conhecido embora desconhecido, apesar dos 23 anos de proximidade e dos múltiplos projectos em conjunto”, explica a comissária. Toda esta investigação permitiu-lhe montar uma exposição que revela como era o líder da revolução na intimidade, onde estava o povo que apoiou a revolução, como era o estúdio onde realizava as fotografias de moda ou qual a importância do mar na sua obra.

A exposição está na Galeria Torreão Nascente (Cordoaria Nacional), até 31 de Janeiro, de terça a sexta 10.00-19.00, sábado e domingo 14.00-19.00. A entrada é grátis.

in Lisboa Time Out

Site oficial da exposição

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