Fotografia – Componente Teórica (2): A Máquina Fotográfica

Todas as máquinas fotográficas se baseiam num princípio-base. É possível observar este princípio se nos encontrarmos numa sala escura onde exista um orifício numa parede, pelo qual entre luz vinda do exterior. O que quer que esteja no exterior, iluminado por essa mesma luz, vai ser reproduzido na parede.

Como tal, existem em todas as máquinas fotográficas, independentemente do modelo, elementos que são comuns, por serem essenciais ao seu funcionamento.

Elementos essenciais da máquina fotográfica:

Objectiva

A objectiva, na sua forma mais simples, é uma lente convexa, ou seja, um disco de vidro modelado e polido, mais fino nos bordos do que no centro. A função da mesma é receber a luz de amplitude crescente que se reflecte no motivo, fazendo os raios convergir, de modo a criar uma imagem invertida, luminosa e nítida. Normalmente, uma objectiva é constituída por várias lentes que conduzem a luz para o plano focal.

Uma das características mais importantes de uma objectiva é a distância focal, que consiste na distância entre a objectiva (ponto de convergência) e o plano onde a imagem se vai formar (plano focal). É através desta que o fotógrafo define a maior ou menor aproximação de uma imagem ou escolhe o campo de visão que deseja trabalhar.

Obturador

O obturador é um mecanismo que abre e fecha de modo a permitir a escolha do momento em que queremos tirar a fotografia. Este influencia o tempo total em que a película é exposta à luz, no caso das câmaras analógicas, ou o sensor, nas câmaras digitais. A este período de tempo, compreendido entre a abertura e o fecho do obturador, dá-se o nome de velocidade de obturação. A regulação da velocidade do obturador condiciona o resultado da imagem formada, na medida em que actua sobre a sua nitidez e luminosidade.

Diafragma

O diafragma é um dispositivo constituído por lâminas sobrepostas, colocado junto à objectiva, com o qual é possível regular a quantidade de luz que entra na câmara, consoante a escolha do diâmetro de abertura do mesmo.

Visor

O visor é o elemento da máquina que nos permite colocar a máquina de modo a enquadrar aquilo que é pretendido fotografar. Este difere de máquina para máquina, em alguns casos permite-nos ver exactamente o que vamos fotografar (máquinas reflex e ecrãs de máquinas digitais), noutros, existe uma margem de erro pois o visor é directo.

Plano focal

O plano focal designa-se pela superfície plana na qual se forma a imagem. Para isso, a máquina deve apresentar um método de focagem que possibilite aproximar ou afastar a objectiva, de forma a obter uma imagem nítida do motivo, esteja ele perto ou longe.

No caso das máquinas analógicas, o plano focal deve coincidir com a superfície da película. Para as máquinas digitais, o plano focal coincide com o sensor digital.

Existe um leque variado de modelos de máquinas fotográficas que, apesar de terem em comum os elementos básicos, diferem no modo e capacidade de funcionamento dos mesmos. Para uma melhor explicação dos vários tipos de máquinas, vamos dividi-los em 3 grupos: as máquinas compactas (digitais ou analógicas), as SLR (digitais ou analógicas) e as máquinas que já caíram em desuso (TLR, instantâneas, câmara 110). Como as máquinas digitais são as mais usadas actualmente, iremos incluir também uma breve explicação do funcionamento das mesmas.

Outros elementos frequentemente presentes nas máquinas fotográficas:

Flash: A maior parte das câmaras digitais têm o flash incorporado. Os flashes incorporados normalmente têm três opções: automático (activo apenas quando necessário), ligado ou desligado. Estas opções podem ser controladas por um botão na máquina ou nos menus do ecrã LCD.

Auto-disparador: Mecanismo que permite temporizar o disparo da máquina fotográfica de modo a que o fotógrafo possa entrar na própria cena que enquadrou. É também usado para evitar a vibração provocada pelo acto de premir o disparador quando se usam velocidades de obturação muito baixas.

 

Tipos de máquinas fotográficas:

 

Câmaras compactas/Visor Directo

A maioria das câmaras compactas são muito simples, visto que a sua construção tem, maioritariamente, em conta o pouco peso e a simplicidade de funcionamento. Algumas das máquinas possuem, além do sistema de exposição automática, o de focalização automática.

Existe uma grande variedade de máquinas compactas: as que têm apenas uma velocidade de obturação e um diafragma fixo e as que têm uma gama completa; as que possuem exposição automática e as mais baratas que não possuem qualquer guia para a exposição, e outras com fotómetro incorporado.

O facto de ter uma objectiva fixa impede a disposição de várias distâncias focais, no entanto é esta característica que permite o reduzido volume destas máquinas. Apesar da objectiva fixa reduzir a sua versatilidade, é adequada para a maioria das situações.

A distância focal destas câmaras é curta, está entre os 30 mm e os 40 mm. Isto proporciona uma profundidade de campo alargada, o que resulta numa capacidade de focalização menos precisa e torna mais difícil desfocalizar detalhes indesejados do fundo. Também o amplo ângulo de visão, que deriva da curta distância focal, permite utilizar a máquina em espaços limitados, mas cria distorções nos retratos em primeiro plano.

O facto de estas câmaras possuirem um visor directo tem o principal inconveniente de, ao tirar a fotografia, não se ver o mesmo que aparecerá nesta, sendo por vezes cortada a parte mais alta da imagem. A esta margem de erro entre a imagem que aparece no visor e a que é captada na imagem chama-se erro de paralaxe. Existem, porém, máquinas que possuem marcas de compensação no visor e as mais caras corrigem automaticamente o erro. Este erro é possível de evitar de uma maneira muito simples no caso das máquinas digitais pois, para além do visor, existe também o ecrã onde podemos ver o que estamos a fotografar.

É muito comum estas máquinas terem o controlo de tempo de exposição automático, por isso são ideais para fotografias espontâneas, para as quais é necessária a facilidade de manuseio.

A velocidade de obturação das câmaras compactas varia, possuindo algumas apenas uma velocidade e, outras, uma grande variedade de velocidades. No entanto, é raro, alguma delas ter velocidades de obturação igual ou superior a 1/500 de segundo, o que impede de obter, com qualidade, imagens que estejam em movimento muito rápido. Também a luz solar muito forte pode ser uma contrariedade, já que as objectivas não se fecham com rapidez. Por outro lado, a capacidade de obturação não muito lenta que estas máquinas possuem, não permite a sua utilização com pouca luz.

 

Máquinas “reflex” de uma só objectiva (SLR – Single Lens Reflex)

As máquinas deste tipo têm como principal característica, e vantagem, a existência de um sistema de espelhos no seu interior, que reflectem a imagem gerada pela objectiva apresentando-a no visor, o que permite observar exactamente o que se vai fotografar. No momento em que a fotografia é tirada, esse visor passa a preto, pois é nesse momento que a película ou sensor (máquinas digitais) é exposto à luz.

Assim este é o tipo de máquina ideal para a realização de fotografia avançada, devido ao rigor que apresenta na captação de imagens. Aspectos como a focagem ou a profundidade de campo que queremos seleccionar, são calculados com precisão.

Este tipo de máquinas, por ser um dos modelos mais populares e funcionais, possui uma grande gama de acessórios disponíveis, mais conhecidos por sistemas. Esta variedade de acessórios verifica-se, por exemplo, na grande quantidade de objectivas existentes ou nos vários tipos de visores disponíveis.

Câmaras digitais

A câmara digital foi uma inovação que fez da fotografia algo mais acessível e comum a todos. Isto porque, ao contrário das analógicas, cujas imagens só estão disponíveis quando o rolo do filme for usado e revelado, o que tem um certo preço, neste tipo de câmaras a fotografia é visível imediatamente após ter sido tirada. A imagem é registada através de um sensor e é depois armazenada em cartões de memória, para que possa ser visualizada posteriormente.

A imagem é captada através de um mecanismo semicondutor que, ao receber a luz vinda das lentes, mede a descarga eléctrica produzida por esta, de modo a registá-la. Essa informação é depois transformada em dados digitais.

A imagem digital é constituída por milhões de píxeis, pequenos quadrados com cores que apenas são visíveis ao olho humano com uma grande ampliação. A resolução da imagem é a quantidade de megapixels (horizontal x vertical). No entanto, uma grande quantidade de megapixels não significa uma maior qualidade de imagem. Na verdade, o maior condicionante é o sensor da câmara. Quanto maior e mais complexo for o sensor, melhor e mais nítida será a imagem pois, se o sensor for fraco e tiver que captar uma grande quantidade de megapixels, vai produzir muito calor e, consequentemente, gerar ruído na fotografia. Ou seja, a má qualidade da fotografia não é causada pela falta de megapixels, mas sim pela falta de capacidade por parte do sensor para captar tantos megapixels.

No entanto, não é só esta característica que vai condicionar a qualidade da câmara. Tanto as lentes da objectiva, que conduzem a luz para o sensor, como o software interno, que processa os dados, são constituintes da máquina importantes para a sua eficácia.

Máquinas em desuso

Existem alguns tipos de máquinas fotográficas analógicas que já caíram em desuso, fenómeno que se deve, principalmente, à supremacia das máquinas digitais. Temos como exemplos, neste grupo, as seguintes:

  • A “reflex” de duas objectivas (TLR – Twin lens reflex). Esta máquina possui duas objectivas que funcionam independentemente uma da outra. É na lente de cima que se forma a imagem e é esta que possui o espelho que possibilita observar a imagem no visor, mesmo no momento da exposição. A objectiva de baixo possui o diafragma e obturador e forma a imagem directamente sobre a película. Tem como principais desvantagens o aumento do erro de paralaxe, devido à existência de duas objectivas diferentes, e é volumosa e, portanto, difícil de transportar.
  • A câmara de fotografia instantânea. Popularizada pelas máquinas Polaroid, hoje em dia este tipo de fotografia encontra-se em desuso. Existem, no entanto, planos para trazê-las de volta.
  • As câmaras 110 de bolso. Tal como o nome indica, usam rolo de 110 mm em “cassete”. Constituíram a preferência dos fotógrafos amadores devido ao facto de serem ligeiras, fáceis de utilizar e económicas mas, também podiam servir de «caderno de notas» para fotógrafos profissionais.

Máquinas em desuso: TLR, Polaroid e Instamatic 110

Bibliografia/Websites consultados:

  • Enciclopédia Foto – Guia Prático de Fotografia, Editora Salvat;
  • May,Alex; Multimédia – Fotografia Digital, Editora Civilização;
  • Spitzing, Gunter; Guia Prático de Fotografia, Editorial Presença;
  • Guia Prático de Fotografia, Cinema e Som, Publicações Alfa;
  • Hedgecoe, John; O Manual do Fotógrafo, Porto Editora;
  • Tozer, Norman; Guia Prático da Fotografia, Editorial Estampa;

Trabalho realizado por: Joana Moreira, João Tomé, Maria Marques e Nuno Beijinho – 12ºN 2009/2010

Imagens e compilação: António Marques/ Sala 17