Fotografia – Componente Teórica (4): Obturador e Velocidade de Obturação

“Enquanto que o diafragma desempenha o papel de uma janela mais ou menos aberta, o obturador desempenha o papel de uma cortina fechada sobre essa janela”.

Adaptado de “Aprenda a Fotografar” de Antoine Desilets

O Obturador

O objectivo deste trabalho é aprofundar o conhecimento acerca do obturador e de suas funcionalidades, ou seja, o efeito que este produz numa fotografia, consoante a sua velocidade.

Pretende-se melhorar, assim, o nível de conhecimento do leitor e a sua prática na área da fotografia: é essencial, para saber fotografar, conhecer bem a sua máquina, saber como ela funciona e saber usá-la.

O obturador é um dispositivo cuja principal função é controlar a quantidade de luz que entra no sensor das máquinas digitais ou dos filmes, no caso das máquinas analógicas, durante um curto espaço de tempo preciso. Este intervalo, chamado de velocidade de obturação, é uma pequena fracção de segundo que vai influenciar a imagem final, sendo que a quantidade de luz absorvida pode ser regulada manual ou automaticamente, de acordo com a máquina que escolhemos.

Com o avançar do tempo, a tecnologia deu asas à inovação, e o obturador foi desenvolvendo cada vez mais a sua função.

Primordialmente a máquina fotográfica não dependia do obturador. Dependia antes de uma tampa que fechava a objectiva impedindo a luz de entrar.

Esta foi substituída pelo obturador mecânico exterior, de comando pneumático, que exercia a mesma função que a tampa, só que estava colocada dentro de um chassis impenetrável pela luz.

O obturador tipo guilhotina foi usado essencialmente nas máquinas simples com apenas um ou dois tempos de exposição (velocidade de obturação), e nalgumas possuidoras das células fotoeléctricas. Este obturador consiste em uma ou duas lâminas colocadas por trás da objectiva. Enquanto que uma das lâminas impede a entrada da luz antes e depois da exposição, a outra controla a abertura.

Actualmente as máquinas funcionam principalmente com dois tipos de obturador: o obturador central e o obturador focal ou de cortina.

O primeiro, o obturador central, encontra-se na parte de trás da objectiva e é mais comum em máquinas de visor directo. É constituído por pequenas lâminas que se sobrepõem, e abrem e fecham concentricamente. Deste modo é permitido uma completa entrada de luz mas o que vai ser alterado é o tempo da exposição.

Obturador central

Já o obturador de plano focal ou de cortina, encontra-se mesmo em frente ao filme e é mais comum nas máquinas reflex. São como duas cortinas que se deslocam vertical ou horizontalmente onde dependendo da velocidade escolhida, a sua largura aumenta ou diminui, deixando entrar mais ou menos luz.

Obturador de plano focal

Existem ainda mais dois tipos de obturador:

Obturador electrónico: tipo de obturador em que o dispositivo mecânico utilizado para regular o lapso de tempo de exposição é substituído por um circuito electrónico.

Obturador de diafragma: mecanismo de obturação que é simultaneamente o diafragma da objectiva. Compõe-se de um conjunto de lâminas que se abrem durante um lapso de tempo determinado com o diâmetro pré-seleccionado quando se dispara o obturador.

Velocidade de Obturação

A velocidade de obturação pode ser alterada consoante o efeito pretendido, ou o motivo a fotografar. Nas máquinas existe uma série de velocidades predefinidas das mais lentas para as mais rápidas: B; 1 seg. ; ½ seg. ¼ seg. ; 1/8 seg. 1/15 seg. ; 1/30 seg.; 1/60 seg.; 1/125 seg.; 1/250 seg.; 1/500 seg.; 1/1000 seg. 1/2000 seg(…)

Selector de velocidades de obturação numa máquina fotográfica

1/x representa a fracção de tempo, por segundo, em que o obturador está aberto. Ao trabalhar nestes valores estamos a regular o obturador para que este dispare automaticamente, e isso só é possível ate 1 segundo. Para prolongar a entrada de luz por mais de um segundo, recorre-se à letra B.

A letra B vem da palavra inglesa Bulb, que significa pêra. Este nome era dado à pêra borracha que era usada antigamente para disparar os obturadores pneumáticos. É essencialmente utilizada quando a luz é muito fraca, podendo assim controlar manualmente o tempo de abertura do obturador, permitindo uma grande entrada de luz na câmara escura.

Uma velocidade de obturação mais rápida é normalmente usada quando se pretende uma imagem mais nítida. Quanto maior a velocidade menos luz entra na câmara escura, logo devemos certificarmo-nos de que nos encontramos num meio bem iluminado. Pelo contrário, uma velocidade mais lenta implica a entrada de mais luz na câmara. Mas temos de ter em atenção que, ao usar um tempo de abertura prolongado, o objecto a fotografar tem de estar imóvel, e a câmara tem de estar estável, caso contrario o resultado será pouco nítido. É então aconselhável o uso de um tripé como meio de assegurar a imobilidade da câmara. Quanto ao objecto, cabe ao fotografo ajustar a velocidade de obturação consoante o movimento, sabendo que quanto maior foi o movimento do que se vai fotografar, maior terá de ser a velocidade de obturação, consequentemente, menor será a quantidade de luz a entrar na câmara escura.

No caso de a máquina ser usada apenas com as mãos, e não se tratar de uma pessoa experiente, há que usar uma velocidade mínima de 1/125, de modo a assegurar que não ocorrerá nenhuma vibração indesejada. Também poderá equilibrar-se numa porta, parede, parapeito, ou outra superfície qualquer. No caso de não estar ao alcance de uma dessas superfícies, separe os pés, não fique tenso, e carregue no botão de disparo da forma mais leve possível. Outro truque é suster a respiração no momento de tirar a fotografia.

Tendo esta noção base do que é o obturador e a velocidade de obturação, há que ganhar agora mais conhecimentos através da experimentação, pois só assim é que o fotografo se vai habituar à sua máquina, e vai lograr tirar fotografias brilhantes.

Velocidade de obturação curta (1/1000 s.)

Velocidade de obturação longa (1 s.)

Sites Consultados

Bibliografia

  • CALDER, Julian; GARRET, John – Manual de Fotografia 35 mm – Melhoramentos
  • Autor desconhecido – Foto, Guia Prático de Fotografia, Volume 1 – SALVAT
  • TOZER, Norman – Guia Prático da Fotografia – Editorial Estampa
  • Autor desconhecido – Guia Prático de Fotografia, Cinema e Som – Publicações Alfa
  • HEDGECOE, John – O Manual do Fotografo – 3ª Edição, Porto Editora, 1990, Porto
  • LANGFORD, Michael – A Fotografia Passo a Passo, Um Curso Completo – Publiclub, 1980, Lisboa
  • Rêgo, Jorge – “Fotografia”.  Edições ASA, 1994 (pág. 56 – 1ª edição)
  • Hedgcoe, John – “O Manual do Fotógrafo”. Porto editora, 1996 (pág. 10, 11 – 6ª edição)
  • Langford, Michael – “A Fotografia passo a passo”. Publicub, 1980 (pág. 31, 36, 37, 218)

Trabalho realizado por: Anabela Antunes, Mariana Fazenda, Sara Mateus e Vanessa Henriques – 12ºN 2009/2010

Imagens e compilação: António Marques/ Sala 17