Fotografia – Componente Teórica (7): Fotómetro e Valores de Exposição

A fotografia tem três elementos principais: o enquadramento, o momento e a luz. Estes tópicos influenciam a fotografia de uma maneira muito particular. O enquadramento de uma fotografia é algo que pode ser escolhido e trabalhado de modo a mostrar o objecto/paisagem do melhor ângulo possível. O momento é algo que não pode ser escolhido, acontece e tem de ser aproveitado porque poderá não existir outro semelhante. Já a luz pode ser artificial, ou natural, tudo depende do trabalho e da ideia que temos em mente. Podemos assim, escolher a altura do dia e a luz mais pura que se adequa ao nosso objectivo, a fotografia perfeita daquele momento com aquele enquadramento.

Os Fotómetros influenciam o resultado final de uma imagem, pois, quando esta vai ser revelada, tem de receber a quantidade de luz adequada para que a exposição fique o mais correcta possível. Os nossos olhos não têm a capacidade de medir a luminosidade do motivo com precisão e, assim, o fotógrafo necessita de um fotómetro. A base do funcionamento de todos os fotómetros é a conversão da luz em corrente electrónica. Esta pode ser medida numa escala e traduzida em velocidades e aberturas “f”, relativas à sensibilidade da película (material fotográfico composto por uma base de plástico fino e transparente, revestida de uma emulsão sensível à luz).

Existem vários tipos de fotómetros:

  • Os fotómetros independentes, que se podem segurar na mão e que, para os profissionais, permitem uma maior flexibilidade de operação.
  • Os fotómetros vendidos juntamente com o aparelho, mas que são destacáveis. Estes são pequenos e de alta qualidade.
  • Os fotómetros incorporados mais simples, têm uma célula dirigida para um motivo, por cima ou à volta da objectiva, e uma agulha móvel na parte superior do corpo da máquina, cuja leitura tem de ser traduzida em termo de velocidade e de abertura.
  • Os fotómetros direccionais, concebidos para as leituras efectuadas de longe, são peças de alta precisão. São independentes do aparelho e utilizados especialmente para fotografar um actor no cenário do palco.
  • Os fotómetros de temperatura de cor medem a cor da luz e indicam o tipo de filtro para equilibrar essa cor.
  • Os fotómetros marine foram concebidos para fazer leituras de baixo de água a grandes profundidades.

Fotómetro independente (exterior à máquina fotográfica)

Actualmente, quase todas as máquinas fotográficas contêm um fotómetro interno que mede a luz através da objectiva, ou seja, realizam uma medição TTL (Trough The Lens).

Valores de Exposição

A Exposição depende da quantidade correcta de luz que a película recebe para formar uma imagem. Em termos fotográficos, trata-se da iluminação, ou seja, o resultado da intensidade e da distância da luz no tempo em que ela actua sobre a película (rapidez da película).

Em termos práticos, a abertura controla a intensidade ou a quantidade de luz (abertura da objectiva que afecta a profundidade de campo (distância entre o ponto mais afastado e o ponto mais próximo de um motivo)), e a velocidade de obturação – tempo (influencia como a máquina reproduz o objecto). Assim pode ser utilizada para reforçar ou acentuar algum pormenor.

Em relação aos valores de exposição, estes influenciam a velocidade do obturador, ou seja, cada valor exprime uma série de combinações abertura/obturador, as quais têm todas o mesmo efeito de exposição, isto é, produzem uma exposição idêntica. Ao serem dispostos numa escala, esta irá indica-nos a gama de sensibilidade de um fenómeno TTL (sistema de leitura sensível à luz incorporado ou independente da máquina que mede a exposição a partir da luz da imagem que a objectiva está a captar) ou independente da máquina irá permitir medir a exposição com rigor. Quanto mais baixo for o valor, mais sensível o fotómetro é a luz fraca. Quanto mais alto, maior é a sua sensibilidade a luz intensa.

O Cálculo de exposição mostra-nos que para obtermos uma exposição correcta temos de deixar a quantidade certa de luz afectar a emulsão (“material sensível à luz, constituído por uma suspensão de halogéneos” (compostos por elementos químicos do grupo dos halogéneos) “de prata” (cloretos de prata) ” em gelatina, aplicada sobre bases diferentes, de modo a produzir placas, películas e papel fotográfico1), de tal modo que, após a revelação, toda a gama tonal – desde as sombras escuras até as luzes altas – fique registada. Na prática controla-

-se a exposição, combinando o valor “f” da objectiva (intensidade luminosa) com a velocidade de obturação (tempo), em função da natureza específica do motivo e da sensibilidade ASA da película. Um fotómetro é um instrumento que, programado com sensibilidade ASA da película, indica, automaticamente as combinações de abertura e velocidade necessárias para obter a exposição correcta.

ASA – American Standards Association, responsável pela criação do sistema de normas relativas à rapidez dos materiais sensíveis fotográficos. Quanto menor for o número de ASA (exemplo 25/32/50/64) mais fino é o grão da fotografia e mais lenta é a rapidez da película. O ASA é referente mais aos rolos fotográficos.

1 HEDGECOE, EJohn; “O manual do Fotógrafo”, pg.328

O ISO – International Standards Organisation – indica-nos o índice de valores da rapidez ou sensibilidade ISO para as películas. O ISO está adaptado as câmaras digitais. Pode atingir os 3.200, o que nos indica que o grão da fotografia vai ficar grande e a rapidez da película irá aumentar em relação aos valores mais baixos, iguais aos ASA.

Os Tons altos e os tons baixos determinam os tons dominantes, claro – escuro de uma imagem. Uma fotografia de tons altos é principalmente constituída por brancos, tons claros e alguns médios. Os tons baixos apresentam uma imagem composta por pretos e tons escuros.

A sobreexposição, “queima” os pormenores das zonas de tons altos aumentando os pormenores das zonas de sombra. Quanto maior for, mais afectados são os tons médios e os tons altos, ficando estes a parecer zonas iguais, com a mesma gama tonal, não se conseguindo diferenciar quaisquer pormenores. A subexposição, tende a valorizar os pormenores nas zonas de tons altos. As zonas com sombras e tons baixos, escuros, perdem os pormenores, parecem ficar “vazias”.

Ao abordarmos este tema, temos a noção de quão necessário foi o fotómetro, pois, as máquinas não o tinham incorporado como actualmente. Temos agora a noção de que os valores de exposição ditam a resolução de uma fotografia, são fundamentais para que esta apresente todos os pormenores que desejamos, e todos os efeitos que pretendemos criar com os tons que esta nos apresenta. Ao partirmos para este tema sem nenhum conhecimento e sem nenhuma expectativa, apercebemo-nos que a fotografia vai muito mais para além de um simples click, sorriso ou paisagem, tem sabedoria, pensamento e envolve muita concentração e trabalho, para além de toda a paixão que tem de estar envolvida em cada imagem.

Bibliografia

  • DEILETS, Antoine, “A técnica da Fotografia”, Arte de Viver, Publicações Europa – América
  • DEILETS, Antoine, “Aprenda a fotografar”, Europa-América, Arte de Viver
  • DEILETS, Antoine, “Astucia Fotográfica”, Daimon
  • HEDGECO, EJohn, “O manual do Fotógrafo”, Porto Editora, 6ª edição
  • LANCFORD, Michael, “Fotografia Básica”, Dinalivro
  • LYON DE CASTRO, Francisco; “Guia Prático de Fotografia”, Cinema e Som, Publicações Alfa
  • SALVAT; “FOTO, Guia Pratica de Fotografia”, Volume 7
  • SMITH, Edwin,”Fotografia, Técnicas e truques”, Volume1, Colecção Cultura e Tempos Livres, Editorial Presença, 3ª edição
  • SMITH, Edwin, “Fotografia, Técnicas e truques”, Volume 2, Colecção Cultura e Tempos Livres, Editorial Presença, 2ªedição
  • SPITZING, Günter, “Guia Prático de fotografia”, Tempos Livres, Editorial Presença
  • TOZER, Norman, “Guia Prático da Fotografia”, Editorial Estampa

Trabalho realizado por: Mariana Calaboiça e Mariana Leiria – 12ºN 2009/2010

Imagens e compilação: António Marques/Sala 17