O Cartaz: cronologia histórica resumida

Nas ruas das crescentes cidades europeias do final do século XIX, os cartazes eram uma expressão da vida económica, social e cultural, competindo entre si para atrair compradores para os produtos e público para os entretenimentos. A atenção dos transeuntes era capturada pelo colorido dos cartazes, que se tornou possível graças ao desenvolvimento da impressão litográfica…

1900-19

© Toulouse Lautrec-“Aristide Bruant”-1893  © Alphonse Mucha-“Papeis JOB”-1896

© Ernst Kirchner-“Die Brucke”-1910      Cartaz da “Secessão Vienense”-1906

© Jo Steiner-Cabaret Bier-1919

A obra dos franceses Jules Cheret e Henry Toulouse Lautrec constitui a base da nova forma de arte. Ao virar do século, o movimento mais importante no design de cartazes era a Arte Nova, mas William Morris e o Movimento Arts & Crafts tiveram também grande impacto nos dois principais centros de design: Glasgow, onde se situava a escola do mesmo nome, e Viena, onde nasceu a Secessão de Viena.

1920-39

© Herbert Bayer-“Expo Bauhaus”-1923

© Josef Binder-“Jyldis”-1925  © Willem Gispen-“Lâmpadas Giso”-Holanda-1928

© Cassandre-“Chemin de fer du Nord”-1927  © El Lissitzky-Expo URSS em Zurique-1929

© Ludwig Hohlwein-Jogos Olímpicos Inverno-1936  © Joan Miró-“Ajudem a Espanha!”-1937

Existem tantas escolas e movimentos no design de cartazes como na pintura e, de 1920 a 1939, eles abundaram: Bauhaus, De Stijl, Futurismo, Construtivismo e Cubismo para só citar cinco. Porém, deve ter-se cuidado ao catalogar os designers por movimentos. (…) o público colocava rótulos de “cubista” ou “futurista” a tudo o que fosse moderno. A maior parte dos cartazes produzidos durante estas duas décadas eram desenhados para promover produtos comerciais ou acontecimentos culturais, mas as peças de propaganda (…) continuavam a aparecer (…) como apoio a causas especiais, como a Revolução Russa ou a Guerra Civil de Espanha.

1940-59

© Sevek-“Para o Japão!”-1944

© Carles Fontsere-“Para a Frente!”- Espanha-1936   © Abram Games-Commando Medical Service-1941

© Rob-20º Salão Fotográfico, Paris-1949

© Collin J.-“Máquina de barbear Philips”-1955   © Vuilleumier-“Bally”-1952

Durante a Segunda Guerra Mundial houve um afastamento dos cartazes que anunciavam produtos em favor dos que apoiavam o esforço de guerra, quer como apelos ao alistamento, quer como veículos de divulgação da informação. Os governos que encomendavam estes cartazes pretendiam que as mensagens fossem directas e efectivas e assim correram o risco de contratar e dar plena liberdade a jovens designers modernistas. Os resultados foram muitas vezes controversos, mas, neste período, surgiram alguns dos designs mais criativos. As portas estavam assim abertas para os anúncios comerciais mais inventivos que viriam a ser criados no pós-guerra.

1960-79

© Jan Lenica-Opera Wozzeck-1964    © Milton Glaser- “O som é WOR-FM98.7-1965

© Richard Avedon-The Beatles-1964     © Bonnie MacLean-Concerto Yardbirds & Doors-1967

A era psicadélica foi um dos mais breves e mais memoráveis movimentos deste período. Os cartazes eram desenhados para uma audiência limitada, com inscrições quase ilegíveis que continham uma mensagem implícita: “Se não consegue ler é porque não lhe é destinada”. O movimento psicadélico começou na Costa Oeste dos EUA, mas espalhou-se à Europa com o movimento hippy. Por outro lado, os designers japoneses começavam a crescer em importância internacionalmente e estavam mais dispostos a aceitar as novas tecnologias que a maioria dos outros. Nos anos 1970, a nova tecnologia deu aos designers muito maior liberdade através do aumento do controlo do tipo de letra e da reprodução da imagem.

1980-

© Design Grapus-Musée de l´Afifche-1981 © Niklaus Troxler-Jazz em Willisau-1991

© Norman Moore-Cz Art XXX-1994   © Neville Brody-Expo NB-1987

© Shepard Fairey- Cartaz para o filme Walk the Line-2006

Apesar das avultadas somas gastas nas campanhas publicitárias na televisão, as empresas e os governos não puseram de parte o cartaz como meio de comunicação directo e de grande efeito. O computador continua a ter um papel cada vez mais importante no design de cartazes e novos programas permitem a manipulação da imagem até um ponto com que nem se sonhava há uma década. O resultado obtido pode ser uma mistura de qualquer combinação de fotografia, ilustração e trabalho tipográfico.

Texto: Tambini, Michael – A Imagem do Século