Trabalhos finais OA12 UT8 2009/2010 em detalhe; Nuno Beijinho – “As Caras que não se Lêem”

© Nuno Beijinho: “As Caras que não se Lêem” 2009/2010 12ºN

© Nuno Beijinho: “As Caras que não se Lêem” 2009/2010 12ºN

A exploração da forma humana, focando os efeitos visuais que podem ser obtidos através da sua manipulação, é uma área muito vasta, tanto em termos de caminhos a seguir como de resultados obtidos.

Foi esta versatilidade, característica deste tema, que me fez optar pela realização de uma série de auto-retratos, onde explorasse essa vertente mais visual do corpo humano. Apesar de não ser obrigatório que eu, como protagonista desta narrativa visual, ficasse reconhecível, pareceu-me mais lógico utilizar o meu rosto como o elemento principal de toda a sequência fotográfica.

O rosto é a parte mais distinta do corpo humano, é através dele que somos identificados nas mais variadas situações, e como tal funciona como o principal sistema de reconhecimento nas relações humanas. Mas mais do que funcionar como sistema de identificação de um ser, o rosto exerce funções muito mais complexas. O rosto de uma pessoa está sujeito a um grande número de leituras, interpretações possíveis. O rosto e os elementos presentes neste, os olhos, a boca, funcionam como transmissores da actividade interior de cada ser humano, é através do rosto que deciframos estados de espírito, pensamentos, formas de vida.

Mas nem sempre este sistema de comunicação é utilizado da maneira mais realista ou literal, nem sempre transmitimos o que realmente queremos transmitir e nem sempre existe uma leitura correcta dessas transmissões por parte das outras pessoas. São estes defeitos, num sistema de comunicação aparentemente tão simples como o nosso rosto, que constituem a principal essência de cada indivíduo. Assim, o nosso rosto, ou seja, os sinais e mensagens que este emite, podem aparecer deformadas aos olhos de outra pessoa. Podem aparecer encobertas, disfarçadas em movimento, postas em segundo plano por outros elementos do nosso corpo.

Foi neste conceito que me baseei para a realização desta série, à qual dei o nome “As caras que não se lêem”. Utilizando as minhas mãos criei algum tipo de movimento ou deformação na minha cara, ou simplesmente cobri-a, para simbolizar esta ideia dos defeitos que podem surgir na leitura que cada um faz das mensagens que emitimos através do nosso rosto. A escolha de manter os olhos fechados durante toda a sequência simboliza também esta falha de comunicação, sendo que este elemento é um dos mais expressivos do rosto humano, um dos mais incontroláveis, transmitindo com fidelidade todas as reacções ou emoções que temos, mesmo que tentemos disfarçá-las. A ausência de cor, o enquadramento e tipo de luz simples, reforçam todo o conceito principal, pois através desta simplificação da imagem foi-me possível apresentar fotografias sem elementos que pudessem funcionar como distracção da acção principal.

Nuno Beijinho 12ºN