Mapas Conceptuais: O que são? (II)

A Construção de um Mapa Conceptual

Os mapas conceptuais são diagramas hierárquicos em que os conceitos estão relacionados entre si sob a forma de proposições, através do recurso a palavras ou expressões de ligação.

Se bem que de natureza simples, as regras a seguir na construção de um mapa conceptual devem estar claras na mente de quem se propõe a fazê-lo. Um MC tem duas componentes fundamentais:

  • Conceitos (traduzidos por uma ou várias palavras);
  • Expressões ou palavras de ligação.

Dois ou mais conceitos ligados por uma expressão de ligação formam uma proposição que consiste numa “afirmação com significado”, também denominada por “unidade semântica”.

A definição de “Conceito” pode traduzir-se pela percepção da regularidade existente em eventos ou objectos. Para dar um exemplo simples, é sabido que existem inúmeros modelos de cadeiras diferentes mas o conceito de “cadeira” assimilado numa estrutura cognitiva é apenas um. Ele resultará, em princípio, da conjugação dos traços comuns a todas as cadeiras analisadas ao longo da vida. Existe muitas vezes a dificuldade, especialmente por parte de estudantes jovens, em entender a definição de “conceito”. Poderão usar a palavra “rápido”, por exemplo, para indicar o conceito de “rapidez”. Tais erros podem alterar a validade estrutural de um mapa, transformando-o num mero conjunto de frases lineares, um texto com a forma de mapa conceptual sem o ser verdadeiramente.

Não há um processo único para construir mapas de conceitos porque não há um processo único de realçar o conceito principal e de mostrar como ele está relacionado com outros conceitos. No entanto existem algumas sugestões de construção que se podem seguir.

Para construir um mapa conceptual, devem primeiro identificar-se os conceitos-chave, necessários para entender o significado do assunto. Os conceitos-chave devem ser ordenados hierarquicamente, do mais geral ou abrangente, para o mais específico ou menos inclusivo. Idealmente, um MC deve ser lido de cima para baixo de modo que os conceitos mais abrangentes dentro de um determinado assunto devem ser colocados no topo da superfície de trabalho.

Seguidamente, utilizando linhas ou setas, devem ligar-se os conceitos entre si, rotulando essas ligações com as palavras ou expressões que caracterizem a natureza da ligação entre esses conceitos.

Dentro da hierarquia previamente estabelecida entre os conceitos, devem tentar agrupar-se aqueles entre os quais haja uma relação mais directa ou visível. Esta acção vai possibilitar reduzir o número de expressões de ligação que se estendem de uma secção do mapa para outra.

Frequentemente, são necessárias muitas iterações antes de obter um mapa com uma forma satisfatória. Os mapas podem mudar de forma radical durante a sua construção, devendo ser encarados como dinâmicos e não com estáticos. Cada mudança operada num mapa representa uma mudança de perspectiva relativamente ao conhecimento do assunto em causa.

Por último, pode acrescentar-se um elemento enriquecedor dos significados presentes num mapa que consiste na introdução de exemplos concretos de objectos ou eventos que ilustrem, no sentido figurativo ou literal as afirmações contidas no mapa.

Os mapas conceptuais podem tornar-se bastante complexos e requerer bastante tempo e atenção na sua construção mas a sua utilidade na organização, aprendizagem e demonstração daquilo que sabemos sobre um determinado tópico, compensa largamente esse investimento.

É importante reconhecer que um mapa conceptual nunca está terminado. Depois de um mapa preliminar estar construído é sempre necessário revê-lo, podendo outros conceitos ser acrescentados. Bons mapas geralmente resultam de várias revisões. É justamente por essa razão que os meios informáticos são extremamente úteis e vieram potenciar enormemente a utilização dos MMC´s.

No processo de aprendizagem para a construção de mapas conceptuais é importante escolher uma área do conhecimento que seja familiar à pessoa que irá construir o mapa.

Uma vez que a estrutura de um mapa conceptual está dependente do contexto dentro do qual ele irá ser usado, é fundamental identificar claramente a questão ou problema que se pretende ver esclarecido. Este cuidado irá permitir determinar a estrutura hierárquica do mapa com maior rigor.

As fases da construção de um mapa conceptual são aqui apresentadas num conjunto de cinco pontos sequenciais e ilustradas com um exemplo (White e Gunstone, 1992-adaptado):

1. Escrever os conceitos ou termos principais que se conhecem acerca de um determinado assunto que se pretenda mapear (Fig. a).

Fig. a) – Lista de conceitos que se pretendem mapear, segundo o tema principal “Nutrientes”. Os conceitos estão agrupados por nutrientes (à esquerda), as suas funções (à direita) e os sintomas das suas carências (à direita).

2. Afastar temporariamente os conceitos cujo significado se desconhece e também aqueles que (para já) não são relacionáveis com os outros conceitos. Os conceitos que sobrarem são aqueles que serão usados para definir a estrutura básica do mapa.

3. Dispor os conceitos de modo a que os termos relacionados fiquem próximos uns dos outros.

4. Traçar linhas entre os conceitos que se pensa estarem directamente relacionados e escrever em cada uma das linhas a natureza do relacionamento existente entre os conceitos (Fig. b).

Fig. b) – Ligação do tema principal aos conceitos mais directamente implicados.

5. Caso se tenham posto de lado alguns conceitos no ponto 2, voltar atrás e verificar se alguns deles poderão ser incluídos no mapa que foi construído. Se for esse o caso, certificar-se de traçar as linhas e de escrever os significados dos relacionamentos entre os novos conceitos (Fig. c).

Fig. c) – Uma versão final do mapa “Nutrientes”, apresentando ligações para todos os conceitos inicialmente listados.

© António Marques. Mapas Mentais e Conceptuais: Utilização Pedagógica. Universidade Aberta, Lisboa, 2008

Mais informação e descarga do programa CMap Tools, aqui: http://cmap.ihmc.us/conceptmap.html

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