Plano de Trabalho e Pesquisa da Inês Santos para a OA12 UT11 2009/2010 “Projecto Artístico Individual”

Inês Neto dos Santos, 12ºN nº5

Introdução

Como tema para este Projecto Artístico Individual escolhi a Fotografia. A escolha deste tema deveu-se ao facto de, neste ano lectivo, numa das unidades de trabalho, termos trabalhado a Fotografia e da experiência me ter agradado bastante.

Decidi-me por fazer retratos fotográficos, já que prefiro fotografar pessoas a locais ou paisagens. Através do retrato fotográfico, pretendo ultrapassar a ideia do retrato clássico e objectivo, tentando apresentar, apenas através de uma imagem, as características pessoais da pessoa retratada. Assim, o meu papel como fotógrafa será, de câmara na mão, esperar, perante o fotografado, pelo momento certo. É deste modo que o meu projecto se adequa maioritariamente à 3ª área de trabalho proposta: a Intervenção Social. O produto final não será exactamente a minha expressão individual, muito menos a exploração de um técnica artística, mas sim a apresentação das características pessoais de outros (apresentadas em fotografias captadas por mim).

O produto final será apresentado em forma de portfolio, em que as várias fotografias poderão ser vistas todas ao mesmo tempo (abrindo-se o conjunto de imagens como um fole) e onde estará presente um pequeno texto introdutório. As fotografias finais representarão entre cinco a oito pessoas diferentes e terão o formato A4.

O objectivo do meu Projecto será não só cumprir o desafio lançado pela Questão Central que desenvolvi – Como produzir retratos fotográficos, indo além da objectividade e expressando as características pessoais dos retratados? -, mas também alargar os meus conhecimentos na área da Fotografia, aproveitando para fazer algo que gosto.

Esta fase do projecto,  a pesquisa, é essencial a tudo o resto com que nos iremos deparar futuramente. Vai permitir-nos perceber melhor e deixar mais claro aquilo que realmente queremos produzir com o Projecto Artístico Individual.  Decidi, assim, pesquisar sobre questões que considero essenciais ao meu projecto.

Plano de trabalho

Começo, então, pelas mais básicas perguntas:

O que é um retrato?

“Um retrato é uma pintura, uma fotografia, uma escultura ou outra representação artística de uma pessoa, na qual o rosto e a sua expressão é predominante. Por esta razão, em fotografia, um retrato não geralmente conseguido num só clique, sendo, na verdade, uma imagem composta de uma pessoa numa posição fixa.

Um retrato mostra, frequentemente, uma pessoa a olhar directamente para o pintor ou fotógrafo, de modo a tornar a relação fotografado-observador bem sucedida.

Um dos retratos mais conhecidos do mundo ocidental é a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci, sendo este um quadro de uma mulher desconhecida. O retrato mais antigo do mundo foi descoberto em 2006, perto de Angoulême, pensando-se que tenha 27,000.”

Citação retirada de: http://en.wikipedia.org/wiki/Portrait

Como fotografar um retrato?

No site Photo.net, encontram-se algumas dicas para ser bem sucedido na fotografia de retrato.

Conselhos gerais:

“O nosso conselho para fotógrafos com câmaras digitais é que encham o cartão de memória com o 50 imagens, esperando numa conseguir captar a essência do retratado.”

“A coisa mais importante na fotografia de retrato é o interesse no sujeito da fotografia. Se está demasiado ocupado com os aspectos técnicos para se preocupar com quem fotografa, não o faça.”

“Se não tiver ou não poder criar um estúdio fotográfico, concentre-se em retratos ambientais. Mostre o sujeito e o que o rodeia. Deve preocupar-se com um nível baixo de ISO, um tripé e uma lente de alcance médio.

“Existem dois elementos importantes em retratos de estúdio: um é um fundo controlado. Vai querer focar a sua atenção no sujeito e evitar elementos de distracção na imagem. Se não lhe for possível criar um fundo monocromático, como os habituais fundos dos estúdios fotográficos, procure utilizar uma lente com pouca profundidade de campo. Assim, o nariz e os olhos do retratado estarão muito definidos. Tudo o resto estará mais ou menos desfocado.

“O segundo elemento de uma fotografia de estúdio é a luz controlada. Com luzes de pé ou de tecto, é-lhe possível escolher o ângulo em que a luz incide sobre o sujeito. Com chapéus de chuva ou outro equipamento de difusão, pode escolher a densidade das sombras no retratado. Se não conseguir/puder ter disponível este tipo de equipamento, o mais fácil a fazer é colocar o retratado junto a uma janela e utilizar cartão branco reflector do outro lado. Lembre-se do tripé, pois provavelmente será forçado a utilizar velocidades de obturação lentas.”

Citação retirada de: http://photo.net/learn/portraits/

Fotógrafos Inspiradores

Perante a ideia de fotografar retratos, na tentativa de transmitir algumas características pessoais dos retratados, descobri os seguintes fotógrafos, através de pesquisa pela Internet. São artistas que, durante a sua carreira, exploraram, das mais diversas maneiras, o retrato fotográfico ou, de um modo mais geral, a fotografia. As suas imagens foram produzidas no desejo de transmitir determinados valores e ideias, aspectos que, de certa forma, gostaria de ter presentes no meu projecto.

Apresento, então, alguma informação importante sobre cada fotógrafo que achei inspirador e, abaixo de cada secção, uma pequena observação pessoal (a negrito). Esta observação refere-se apenas ao conteúdo (ideias e ideais) apresentado no trabalho de cada fotógrafo. Observações relativas aos aspectos técnicos encontram-se mais abaixo, juntamente com algumas imagens.

Robb Kendrick

Robb Kendrick é um fotografo internacionalmente reconhecido e galardoado com vários prémios na área da fotografia. O seu trabalho foi publicado em grandes revistas como a National Geographic e a Life.

Durante a sua carreira, Kendrick viajou por mais de 75 países, em reportagem para mais de uma dúzia de histórias para a National Geographic.

Apesar de também apreciar fotografar com a sua câmra de 35mm, a verdadeira paixão de Kendrick é um determinado tipo de fotografia, uma técnica fotográfica usada durante o século XIX, chamada, em inglês, wet-plate photgraphy. Dele resultam fotografias tintype, que são, cada uma delas, únicas, sendo produzidas à mão, do início ao fim. Este processo consiste em mergulhar uma imagem negativa (fotografia) com um nível de exposição muito baixo numa determinada emulsão química, sobre uma placa de metal escura. O resultado é uma imagem positiva, em tons sépia, com apenas alguns pontos focados. Kendrick captou, através desta técnica, a vida e o trabalho de cowboys no Texas.

Os retratos de Kendrick, expecialmente a série relativa aos cowboys do Texas (que é a que mais me interessa), são muito expressivas. Apesar dos retratados estarem, aparentemente, serenos, quando olhamos com atenção damo-nos conta de certas emoções ou estados de espírito, presentes no seu olhar. As fotografias carregam um sentimento de nostalgia, muito provavelmente devido ao facto de serem produzidas através de um método antigo – assim, tocam o espectador. É essa característica das fotografias de Kendrick que pretendo transpor para o meu projecto – a capacidade de tocar o espectador através das emoções escondidas no olhar ou nos gestos dos retratados.

Website de Robb Kendrick: www.robbkendrick.com

Fontes:http://photography.nationalgeographic.com/photography/photographers/photographer-robb-kendrick.html e http://en.wikipedia.org/wiki/Tintype

Jodi Cobb

Jodi Cobb é uma fotógrafa profissional, especializada em captar grandes temas, por vezes mantidos em segredo, tal como a escravatura no século XXI. Trabalhou para a National Geographic, viajando por mais de 50 países, especialmente localizados no Médio Oriente e na Ásia.

Cobb foi uma das primeiras fotógrafas a entrar nas vidas secretas, escondidas, das mulheres da Arábia Saudita, a ser bem-vinda a palácios, à vida dos nobres que lá viviam e às tendas dos Beduínos.

A sua produção mais notável foi um trabalho fotográfico que captou as vidas, os valores e as ideias por detrás das geishas japonesas, um lado do Japão cuja entrada era interdita a muitos. Foi-lhe dada confiança e acesso especial perante este mundo fechado. Em 2000, conseguiu que lhe abrissem as portas a outro tipo de mundo fechado: a campanha presidencial em que Al Gore concorreu.

É fácil perceber que Jodi Cobb aprecia e pretende, através das suas fotografias, expor perante todos temas anteriormente desconhecidos e, até, escondidos do olhar do mundo.

Esta é, de certo modo, uma característica inspiradora para o meu Projecto Artístico Individual, já que pretendo captar características pessoais dos retratados, características que podem não estar à vista de todos no dia-a-dia. Apesar de Jodi Cobb não se especializar em retratos, a ideia por detrás de cada um dos seus projectos, este desejo de deixar a descoberto um aspecto antes escondido, é o que pretendo transpor para o meu trabalho.

Website de Jodi Cobb: www.jodicobb.com

Fonte:http://photography.nationalgeographic.com/photography/photographers/photographer-jodi-cobb.html

Malcolm Kirk

Malcolm Kirk, fotógrafo profissional, lançou a sua carreira em 1964, capturando em retrato figuras incónicas como Andy Warhol (cujos retratos, tirados por Kirk, levaram a que o próprio Warhol a desenvolver uma série de auto-retratos), Marcel Duchamp, Robert Rauschenberg, Roy Lichtenstein, James Rosenquist, Jim Dine, Arthur C. Clark, entre outros. Estes retratos mostram-nos uma perspectiva intimista sobre algumas personalidades do século XX, contrariando a faceta da fama na sua vida.

Mais tarde, Malcolm Kirk publicou o livro Man As Art: New Guinea, que lhe permitiu afirmar-se, definitivamente, como artista no mundo da fotografia. O livro apresenta uma colecção de fotografias que retratam pinturas tribais e decorações corporais em nativos da Nova Guiné.

Malcolm Kirk trabalhou para revistas como a National Geographic, GEO, Newsweek, Esquire, Travel & Leisure, Paris Match, The Sunday Telegraph, etc.

O seu olhar intimista sobre figuras como Andy Warhol, Robert Rauschenberg e Roy Lichtenstein é a característica do seu trabalho que mais me interessa, sendo que pretendo capturar estados de espíritos e modos de ser de quem vou fotografar, afastando-me de qualquer faceta criada pelos retratados perante o resto do mundo.

Website de Malcolm Kirk: www.malcolmkirk.com

Fonte:http://malcolmkirk.com/site/about

Steve McCurry

Steve McCurry é um fotografo reconhecido mundialmente como um dos melhores da actualidade. É mais conhecido pelas suas fotografias de cores fortes e apelativas. Apelando à mais pura tradição do documentário, McCurry captura a essência da luta e da alegria humanas.

Após ter trabalhado durante dois anos para uma revistas, McCurry saiu para trabalhar como freelancer na Índia. Aí, aprendeu a esperar e a observar a vida: “Se esperarmos” diz McCurry, “as pessoas esquecer-se-ão da câmara e a sua alma virá ao de cima, à vista de todos.”

Lançou a sua carreira quando, disfarçado de nativo, cruzou a fronteira do Paquistão até ao Afeganistão, à beira da invasão Russa. Quando regressou, tinha rolos de filme cosidos às suas roupas com imagens que seriam publicadas por todo o mundo, como as primeiras que mostravam o conflito que lá estava a decorrer.

McCurry fotografou vários locais de conflito internacional e civil, incluindo Beirut, Cambodja, as Filipinas, a antiga Jugoslávia e Tibete. Steve McCurry concentra-se nas consequências humanas da guerra, mostrando não só o efeito da guerra na paisagem, mas o seu efeito no rosto humano.

O seu trabalho é frequentemente publicado na National Geographic.

O ponto alto da carreira de McCurry foi a descoberta de uma rapariga afegã refugiada, cujo retrato muitos identificam como a imagem mais reconhecível da actualidade.

McCurry tem uma capacidade ímpar de ultrapassar as fronteiras entre linguagem e cultura para capturar histórias de experiência humana. Diz o fotógrafo: “Procuro os momentos desprotegidos, o essencial da alma que espreita, a experiência escrita na cara de uma pessoa. Tento absorver o que seria ser essa pessoa, uma pessoa que vive num mundo mais alargado, a que podemos chamar a condição humana.”. A inspiração que retiro do seu trabalho é exactamente esta, a capacidade de capturar certas características das pessoas que retrata, emoções genuínas e verdadeiras, estados de espírito e modos de ser convincentes e, principalmente, perceptíveis pelo seu impacto.

Website de Steve McCurry: www.stevemccurry.com

Fonte:http://photography.nationalgeographic.com/photography/photographers/photographer-steve-mccurry/

Fotografias por Robb Kendrick

“A Rancher’s Daughter”,  Elko, Nevada             “Casey DePaolo“, Butte Creek Ranch, Oregon

O que mais me agrada nas fotografias de Kendrick é, tecnicamente, o facto de apenas alguns pontos estarem focados (como o nariz, a boca e os olhos). Esses são os pontos fulcrais da fotografia, sendo tudo o resto posto de parte, passando a fazer apenas parte do pano de fundo, para as emoções expressas. Essa é a característica técnica que pretendo transpor, à minha maneira, para as minhas fotografias.

“Chet Bartlett”, Rhoads Ranch, Nevada

Fonte:http://photography.nationalgeographic.com/photography/photographers/photographer-robb-kendrick.html

Fotografias por Jodi Cobb

“Smoke Break”, Kioto, 1993 Pageant Baby”, Georgia, 1998

Bangle Worker, India, 2002

As fotografias de Jodi Cobb não são, em termos técnicos, especialmente interessantes para mim. O que mais me prende nas suas imagens é o que está por detrás delas, a ideia de desvendar algo desconhecido do resto do mundo, algo pouco falado, pouco divulgado e, até, considerado tabu. Essa ideia de deixar a descoberto algo que não é imediatamente visível é um aspecto que me parece aplicável ao meu projecto.

Fonte:www.jodicobb.com

Fotografias por Malcolm Kirk

“Marcel Duchamp”, 1996

“Andy Warhol”, 1965

“Jim Dine”, 1965

Nas fotografias de Malcolm Kirk, o que mais me atrai é o seu carácter intimista e a sua simplicidade. Essa simplicidade, parece-me, é conseguida através (em parte, pelo menos) da tonalidade das fotografias, ora a preto e branco, ora em tons sepia, ora em simples tons acastanhados. Esse é também uma característica técnica a considerar aquando da realização do meu projecto.

Fotografias por Steve McCurry

“Afghan Girl”, Peshawar, Pakistan, 1984 “Pakistani Girl”, Peshawar, Pakistan, 2002

“Feyzabad”, Afghanistan, 1990

Não poderia deixar de colocar Steve McCurry como inspiração para o meu projecto. McCurry, nas suas fotografias, une tudo aquilo que pretendo nas minhas: uma expressão forte, que causa impacto no espectador (que funciona juntamente com as fantásticas cores presentes em todo o seu trabalho) e a composição comum à maior parte dos seus retratos (cabeça e ombros, com a figura centrada na imagem). Este é um fotógrafo que está bem alto na lista de artistas que admiro e deixá-lo de fora nesta pesquisa não faria qualquer sentido.

Fonte: www.stevemccurry.com

Fotografias por Chris Gloag

S.título.                                                                          S.título

Sir Sean Connery

Apesar de não ter referido este fotógrafo anteriomente, devido ao facto de não ter encontrado informação relevante sobre quer a sua vida, quer o seu trabalho, coloco aqui algumas das suas fotografias. Cativam-me especialmente pela expressão natural e genuína dos retratados e, em termos técnicos, pelo forte contraste entre os claros e os escuros (factor a considerar e experimentar nas minhas próprias fotografias).

Fonte: www.chrisgloag.com