“Ensaios”; Exposição dos alunos finalistas de Artes Visuais da Escola Secundária de Santa Maria – Sintra

A exposição “Ensaios” reúne um conjunto de trabalhos individuais e colectivos criados pelos alunos da área de Artes Visuais da Escola Secundária de Santa Maria – Sintra, ao longo do ano lectivo de 2009/2010. Estas obras estão divididas em três tipologias; as assemblagens (composições de objectos tridimensionais) “Objectos Incongruentes” e “Em Viagem”, as fotografias com o tema “Auto-Representação” em duas séries distintas e, finalmente, a instalação intitulada “Grão a Grão…”

Assemblagens

“Objectos Incongruentes”

Os objectos que povoam o nosso quotidiano são identificados através das suas propriedades formais. Se os objectos são manufacturados ou fabricados pelo ser humano, partimos do princípio natural que a suas formas são determinadas pela função que deles se espera que cumpram; um copo ou um martelo, por exemplo, têm um conjunto de características formais que nos levam a identificar prontamente a sua função. Esse acto de identificação é, na maior parte das vezes, bastante simples: Ou sabemos o que é e para que serve um determinado objecto ou não sabemos. E é tudo.

Existem no entanto situações que podem ser muito mais ambíguas e que colocam em dúvida o sistema analítico que construímos para nos relacionarmos com o mundo e com os objectos. Essas situações, exaustivamente exploradas pelos movimentos surrealista e dadaísta, podem acontecer quando, de entre o conjunto de características presentes num objecto, uma delas é fortemente dissonante e entra em conflito com as restantes; pode ser um pão cuja cor é fortemente improvável – como no “Pão Azul” de Man Ray (1890-1976) – ou numa chávena e respectivo prato e colher que apresentam uma desconcertante textura de pêlo natural – como na “Chávena em Pele” de Meret Oppenheim (1904-1979).

“Em Viagem”

Um objecto vulgar pode parecer poético se for usado com criatividade. Os objectos deslocados dos seus contextos habituais, combinados e integrados em composições visuais, assumidos como objectos plásticos, adquirem novos significados pela evocação de outras formas. Picasso, (1881-1973), pintor e escultor espanhol, considerado o verdadeiro criador do movimento abstracto do séc. XX, usou um guiador de uma bicicleta e um selim para fazer uma cabeça de touro. Kurt Schwitters, (1887-1948), pintor alemão, um do mais influentes artistas do séc.XX, procurou tirar partido da lei do acaso nas suas composições de assemblagens nas quais as regras combinatórias eram são puramente casuais. Schwitters utilizou objectos minúsculos, na sua maioria artificias, encontrados nos locais onde há lixo: tikets e slogans publicitários, fotos, letras, signos gráficos, recortes de jornais e outros materiais. Embora os seus quadros sejam relevos, a sua obra tem uma afinidade maior com a pintura do que com a escultura.

O pintor norte-americano Robert Rauschenberg, (1925-2008), um dos maiores artistas do séc. XX, adopta e explora vários materiais e objectos, cruzando a pintura e a escultura, integrando os mais diversos materiais nas suas composições: caixas de cartão, tecidos e garrafões, pneus e madeira, água em banheiras, chapas, madeira, cartão, e varas. Na exposição retrospectiva da sua obra organizada em 2007 pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, intitulada “Em Viagem ’76 -‘70”, o artista fez referências às suas viagens (reais e imaginárias) a Veneza, ao Egipto e à Índia.

Auto-Representação

O Corpo, o espaço e a encenação da imagem fotográfica

Fazer fotografia pode não significar forçosamente a captura de uma realidade exterior cujas contingências escapam, em maior ou menor grau, ao fotógrafo. Este último pode manipular o conteúdo da fotografia estando dentro dela como protagonista, controlando o seu conteúdo imagético e narrativo. Este duplo papel – de fotógrafo e fotografado – é desempenhado por alguns artistas com o objectivo de exercer maior controle sobre a sua obra fotográfica e, ao mesmo tempo, contrariar a ideia do fotógrafo reduzido a um mero “caçador de imagens” oportunista.

Artistas como Helena Almeida, Jorge Molder, Brígida Mendes, Nienke Klunder e Francesca Woodman estão incluídos nesse grupo e são referências incontornáveis para este trabalho.

Construção e Desconstrução da personagem pela fotografia

Será que existe um pouco de todos em cada um de nós?

A imagem que projectamos para o exterior parece-nos ser absolutamente exclusiva e única. Tomamo-la como um dos factores-chave na definição da nossa individualidade. Essa necessidade de clarificação quer da própria auto-identidade (Quem sou eu?; Como sou eu?), quer na identificação da identidade alheia (Quem és tu?; Como és tu?), leva-nos muitas vezes a elaborar estereótipos de “personas” aos quais associamos um certo conjunto de características físicas. Mas será que somos assim tão diferentes uns dos outros ou cultivamos propositadamente as diferenças para permanecermos únicos, sendo quase tudo uma questão de gesto, atitude, penteado, roupa, maquilhagem, postura e expressão facial?

No fundo, será apenas uma personagem que desempenhamos? E quantas personagens poderíamos nós desempenhar?

Instalação “Grão a Grão…”

“O consumismo é uma coisa gradual. Ninguém tem noção, apesar de poder admitir que se é consumista, das consequências que isso pode trazer. Uma pessoa pensa sempre “é só mais isto”, ou que “comprar ou gastar isto não vai fazer grande diferença porque sou só eu”.

Mas o que essa pessoa não se apercebe é que, pouco a pouco, pessoa a pessoa, o consumismo vai aumentando, e a sustentabilidade fica em total desequilíbrio, tendo repercussões na nossa vida e na dos outros”

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