Hiperrealismo: O que é? Texto introdutório a propósito da exposição “Picturing America” do Deutsche Guggenheim.

“A minha pintura é sobre a luz, sobre a aparência das coisas dentro do seu contexto e, especialmente, sobre a aparência das coisas pintadas. Forma, cor e espaço são um capricho da realidade, a tarefa do pintor realista consiste na sua descoberta e organização.”

My paintings are about light, about the way things look in their environment and especially about how things look painted.  Form, color and  space are at the whim of reality, their discovery and organization is the assignment of the realist painter.”

Ralph Goings

Richard Estes ‘Telephone Booths’, 1967

Richard Estes ‘Supreme Hardware’, 1974

No final dos anos 60 do séc.XX, um número de jovens artistas a trabalhar nos Estados Unidos tinha começado a criar pinturas realistas de larga escala, directamente a partir de fotografias. Apresentando frequentemente um detalhe minucioso, retratavam os objectos, os lugares e as pessoas que caracterizavam o estrato visual da vida suburbana da América. Contrastando com os artistas “Pop”, não apresentavam os seus temas de uma forma irónica ou glamorosa. Procuravam em vez disso alcançar um grande grau de objectividade e precisão na execução do seu trabalho, num esforço para permanecerem mais ou menos fieis às imagens geradas mecanicamente que lhes serviam de base. Estes artistas desenvolveram uma variedade de meios para traduzir sistematicamente a informação fotográfica para a tela nas suas pinturas. Ao valorizarem a maneira como a câmara fotográfica vê o mundo em detrimento da maneira como o olho humano vê esse mesmo mundo, puseram em evidência a complexidade do relacionamento entre a reprodução e o reproduzido, assim como o impacto da fotografia na percepção tanto do quotidiano diário como da realidade em geral.

“By the end of the 1960s, a number of young artists working in the United States had begun making large-scale realist paintings directly from photographs. With often meticulous detail, they portrayed the objects, places, and people that defined urban and suburban everyday life in America. In contrast to the Pop artists, they did not present their ubiquitous, often mundane, subject matter in a glamorized or ironic manner. They sought instead to achieve a great degree of objectivity and precision in the execution of their work in an effort to stay more or less faithful to the mechanically generated images that served as their source material. They developed various means of systematically translating photographic information onto canvas. In prioritizing the way the camera sees over the way the eye sees, they underscored the complexity of the relationship between the reproduction and the reproduced as well as the impact of photography on the perception of both daily life and reality in general.

Audrey Flack ‘Queen’, 1976

Chuck Close ‘Leslie’, 1973

Uma quantidade de termos foi proposta em rápida sucessão para descrever esta nova abordagem à pintura, sendo os principais o Super-Realismo, Hiperrealismo e Fotorrealismo. Os artistas identificados como Fotorealistas não formavam um grupo coerente nem se consideravam a si próprios como fazendo parte de um movimento e alguns deles desafiavam activamente a sua associação com o termo. Apesar de tudo, no final dos anos 60 e 70, os dezassete artistas presentes na exposição “Picturing America: Photorealism in the 1970´s”- Robert Bechtle, Charles Bell, Tom Blackwell, Chuck Close, Robert Cottingham, Don Eddy, Richard Estes, Audrey Flack, Franz Gertsch, Ralph Goings, Ron Kleemann, Richard McLean, Malcolm Morley, Stephen Posen, John Salt, Ben Schonzeit e Paul Staiger – encontravam-se na época a explorar um conjunto paralelo de temas, questões e métodos, o que levou os critícos, curadores e historiadores da Arte tanto a exibir como a escrever sobre o seu trabalho, encarando-o como uma tendência coerente na Arte Contemporânea. “Picturing America” debruça-se sobre este período formativo do Fotorrealismo.

A number of terms were proposed in quick succession to describe this novel approach to painting, chief among them Super-Realism, Hyperrealism, and Photorealism. The artists identified as Photorealists neither formed a coherent group nor considered themselves to be part of a movement, and a number of them actively challenged their association with the label. Nevertheless, in the late 1960s and 1970s, the seventeen artists in Picturing America: Photorealism in the 1970s—Robert Bechtle, Charles Bell, Tom Blackwell, Chuck Close, Robert Cottingham, Don Eddy, Richard Estes, Audrey Flack, Franz Gertsch, Ralph Goings, Ron Kleemann, Richard McLean, Malcolm Morley, Stephen Posen, John Salt, Ben Schonzeit, and Paul Staiger—were exploring a related set of issues, methods, and subjects that led critics, curators, and art historians to both exhibit and write about their work as a coherent trend in contemporary art. Picturing America focuses on this formative, defining period in the history of Photorealism.

Ralph Goings, ‘Airstream’, 1970

Ralph Goings ‘Dicks Union General’, 1971

Texto retirado de Deutsche Guggenheim website. Tradução de Sala17/António Marques

Robert Bechtle ‘Foster’s Freeze, Escalon’, 1975

Robert Bechtle ‘Alameda Gran Torino’, 1974

Imagens: Artblart