Enunciado DES12 Ut5 2010/2011; “Natureza Morta”

«(…) Une nature morte n’est jamais qu’une mélodie du monde visible. Elle pose le problème du silence dans le monde de la peinture (…).»

Jean-Jacques Lévêque

A natureza morta é uma pintura, desenho, colagem ou fotografia de objectos inanimados do quotidiano. Praticada desde a Antiguidade, a natureza morta só foi considerada no Ocidente como um género autónomo a partir do séc. XVI. A expressão inglesa, Still Life, parece ser a mais correcta, pois, por vezes, o instante torna-se uma verdadeira eternidade. Este género de representação atravessa toda a arte moderna e é considerado o que melhor revela a existência das formas, das cores e dos valores de luz.

No séc. XIX, as composições do pintor Paul Cézanne deram um novo alento à natureza morta. Cézanne estudava atentamente a disposição dos objectos que iria pintar. No entanto, apesar desse cuidado, a ordenação dos elementos resultava despretensiosa.

Giorgio Morandi foi dos pintores modernos o que mais se concentrou em natureza morta. Os seus objectos: garrafas, candelabros, potes, dispostos em combinações cromáticas subtis, são esvaziados de conteúdos simbólicos e literários, o que confere a essas obras um carácter muito original.

Os arranjos de objectos nas diversas composições e colagens de Juan Gris, Pablo Picasso e Georges Braque associam a Natureza morta directamente ao cubismo.

Na arte contemporânea as representações de objectos inanimados, surgem em suportes tão diversos como a escultura, instalação ou vídeo.