“Perigo Iminente” (Blade Runner) 1982-Ridley Scott

Vários factores se conjugaram para fazer de Blade Runner um filme de culto e, no entanto, o efeito final acabou por ser muito mais poderoso do que a soma desses vários factores. O argumento derivado do excepcional escritor de ficção científica Philip K. Dick, com o título original “Do Androids Dream of Electric Sheep?” é o primeiro contributo. Depois, temos uma realização experiente e segura de Ridley Scott, um grupo de actores carismáticos (nomeadamente Harrison Ford e Rutger Hauer), uma banda sonora inesquecível de Vangelis e, por último, uma cidade de Los Angeles futurista, escura e chuvosa.

Blade Runner, filme cujo ambiente visual foi extensamente copiado, tem várias leituras e a vários níveis (como qualquer bom filme, aliás). Indo além do óbvio filme policial passado no futuro, levanta questões muito mais profundas relacionadas com um tipo de sociedade baseada numa tecnologia mal controlada e num mercado liberal consumista gerido por poderosas mega-corporações. Existem também outros temas aflorados como a importância da memória para a integridade da pessoa humana e a desumanização pela tecnologia.

No que me toca pessoalmente, este filme  (que vi pela primeira vez ainda adolescente) causou-me um profundo impacto. Foi o primeiro filme que me revelou uma preocupante (mas perfeitamente plausível) visão para o futuro. Nesse sentido, acabou com a minha inocência optimista que, sendo própria da juventude, urge abandonar em parte, se quisermos crescer.

© Sala17/ António Marques 2011

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Um óptimo “trailer” do filme, se bem com banda sonora não original: