Os relatórios da Inês Miranda (10ºR), relativos às Ut1 e Ut2 de Desenho

Os relatórios elaborados para as UT1 e UT2 da disciplina de Desenho pela aluna Inês Miranda, do 10ºR constituem um bom exemplo que importa aqui destacar. É compreensível que no 10º ano de escolaridade não exista muita prática na elaboração de relatórios sobre os resultados de uma determinada unidade de trabalho. No entanto, o relatório é uma peça fundamental como momento reflexivo e de introspecção sobre os objectivos, a metodologia empregue e os resultados obtidos num trabalho com vista a um aperfeiçoamento futuro da própria acção do aluno.

Se bem que melhoráveis, sobretudo no que diz respeito à reflexão sobre os resultados globais e na articulação de alternativas mais viáveis para obtenção de melhores resultados, estes relatórios definem de uma maneira correcta o que se pretendia com a unidade de trabalho e qual foi a metodologia de trabalho empregue. Bom trabalho!

Relatório crítico da Unidade de Trabalho 1 – “Letras”

 Esta unidade de trabalho foi dividida em cinco fases.

Na primeira fase era pedido uma ampliação correcta de uma letra à escolha. Eu escolhi a letra “t”. Para ampliar a letra utilizei proporções, ou seja, na folha dada, a margem da letra era de 4,3×2,1cm e a margem da letra ampliada, era de 37×17,5cm. A partir daí, apliquei proporções, por exemplo: 4,3 está para 37 assim como 1,1 está para x cm. Depois de estar ampliada até aos limites máximos da margem da folha (2 cm), era necessário dobrar a folha em seis partes iguais e, posteriormente dobrar na diagonal cada uma das metades da folha.

Na fase dois, pretendia-se dois suportes, com esboços da folha dobrada de diferentes formas. O primeiro suporte era a grafite e/ou lápis e o segundo era a caneta e/ou tinta-da-china. Eu utilizei todos os materiais propostos.

Em ambos os esboços eram necessários:

– Folha modelo com as respectivas dobras e vincos, sem representar a letra;

– Folha modelo com os contornos da letra, sem preenchimento a negro;

– Folha modelo com a letra a negro tal como é observada.

Para cada um destes registos mudei o ponto de vista e tentei utilizar técnicas diferentes em cada um deles. Nalguns o traço cruzado, noutros utilizava traços na mesma direcção, noutros ainda misturava a caneta preta com tinta-da-china.

Na terceira fase, executei uma representação do meu modelo, escolhendo um ponto de vista qualquer. Mas, esta representação era, unicamente, com lápis e/ou grafite. Nesta coloquei as sombras e diferenciei o claro-escuro. Quando pretendia representar negro, utilizava 4B, para obter cinzento-escuro 2B e para diferenciar este do branco, usava HB.

Fizemos ainda, uma fase 3,5 onde tínhamos 15 minutos para representar a tinta-da-china o nosso modelo de qualquer ponto de vista apelativo, tendo em atenção o claro-escuro e as sombras. Para estas, utilizei a técnica do pincel seco. Ou seja, comecei pelas partes escuras e depois, com um pincel seco, “transportava” a tinta de modo a ficar cada vez mais clara. De seguida, com o cinzento fiz o mesmo, ficando com várias “camadas”.

Na fase quatro era pedida outra representação do modelo noutro ponto de vista diferente mas, desta vez, a tinta-da-china e, de preferência, com a letra ilegível. Utilizei a mesma técnica da fase 3,5.

A fase cinco tinha como objectivo escolhermos um pormenor do nosso modelo e ampliá-lo ao máximo. Deveria ser pintado a tinta-da-china mas, desta vez não podíamos diluir em água, ou seja, o desenho era composto por negro sólido e branco. As partes escuras ficaram negras e as partes mais claras, sejam cinzentas ou brancas, não eram pintadas.

Penso que a fase quatro não me correu tão bem, pois não consegui diluir bem a tinta-da-china em água e, por isso, ficou muito “carregado”, isto é, mais escuro do que era pretendido.

Relatório crítico da Unidade de Trabalho 2 – “Nu a la grappe”

Esta unidade divide-se em duas fases, cada uma delas com vários objectivos. Mais uma vez, todas as folhas A3 são marginadas a 2 cm.

Durante este trabalho, fui consultando a imagem representada ao lado, fotografia de uma escultura “Nu a la grappe”.

Na fase um representei esta obra ampliada, tal como na Unidade de Trabalho 1. Mas, nesta unidade tentei arriscar e fazer a ampliação a olho nu, ou seja, sem medições. Apenas com alguns traços auxiliares.

Em diferentes folhas A3, representei esta obra a lápis/grafite, caneta de tinta preta e tinta-da-china a pincel tendo em atenção os valores de luz, sombra, volume e textura.

No registo a lápis/grafite comecei por pintar as partes mais escuras com 4B e fui aclarando com 2B e HB, respectivamente. Depois de pronto, peguei num papel e passei por toda a folha, dando um tom mais cinzento ao fundo com o objectivo das partes claras sobressaírem. Assim, utilizando a borracha, favoreci as partes claras e, com lápis 4B, sobrecarreguei as partes escuras.

Quando fiz o modelo a caneta de tinta preta, utilizei o processo dos traços cruzados. Ou seja, nas partes escuras juntei muitos traços e, para “aclarar” o desenho, fui separando os traços de modo a dar uma ideia de cinzento, até não fazer nenhum traço, para favorecer a luz da imagem. No fundo fiz vários traços livres, mais uma vez, para favorecer o que é realmente claro.

Por fim, no registo a tinta-da-china, utilizei a técnica das camadas. Isto é, fazia uma parte escura, sem diluir a tinta em água. De seguida diluí apenas um pouco em água obtendo um cinzento-escuro. Por aí em diante fui diluindo cada vez mais até obter transparente. Neste trabalho, esta foi a fase que me deixou mais desiludida, pois o resultado não foi como eu pretendia, talvez tivesse ficado melhor se tivesse utilizado outro método, como por exemplo o pincel seco.

Na segunda fase, utilizei um suporte de formato A2, onde marginei a folha a 3cm. Aí, representei a escultura da seguinte forma:

1º- Ampliei a imagem a lápis, ou seja, fiz um esboço;

2º- Pintei o fundo de um tom neutro de cinza, diluindo tinta-da-china em água;

3º- Ocupei o esboço feito em primeiro lugar com tinta sépia, sobrepondo o fundo neutro executado em segundo lugar;

4º- Com tinta acrílica preta, defini as zonas escuras da figura utilizando a técnica do pincel seco. Ou seja, pintei as zonas negras e fui “transportando” a tinta até as zonas claras e, ao mesmo tempo, o pincel vai ficando seco, fazendo um efeito de degradê.

5º- Utilizando acrílico branco, pintei as zonas mais claras e luminosas da figura utilizando o mesmo processo do acrílico preto.

Inês Miranda, 10ºR 2011/2012

© Sala17/ António Marques 2012