H.R. Giger (1940-2014); O Realismo Fantástico e o paisagismo biomecânico

H.G Giger ficou mundialmente conhecido como o criador dos ambientes e seres alienígenas dos filmes da série “Alien”. Consegue reunir, na sua imagética, uma criatividade delirante de inclinações sombrias com uma técnica de representação inovadora que passa pela utilização do aérografo (uma pequena pistola de tinta a ar comprimido) para a construção das suas “paisagens biomecânicas” incrivelmente detalhadas. Uma das características marcantes da obra de Giger é a simbiose quase perfeita entre o mecânico e o biológico, criando mundos e seres completamente estranhos mas, ao mesmo tempo, extraordinariamente credíveis.

“HR Giger, artista suíço que transita por várias artes com desenvoltura impressionante, é daqueles artistas que, pelo conjunto de sua obra, pode ser considerado um enigma de classificação: qual o seu gênero? Em que se enquadra o artista? Com certeza, o ecletismo é uma de suas características, onde o lúgubre e o gótico moderno, permeado por imagens misturadas de corpos e máquinas futuristas, são uma das tônicas mais presentes. A vertente na qual iremos nos deter por ora neste artigo é a do erotismo na arte de HR Giger e sua inegável contribuição para a arte moderna.

Giger, sem dúvida, capturou a essência da alma da modernidade, suas contradições e as mais profundas manifestações desta verdade “escondida” do ser humano. Arte e tentação. Giger forjou um neologismo para essas manifestações dentro de sua obra pictórica e escultural, representando os vários distúrbios da civilização industrial no Ocidente, a que ele chama de “Biomecanoide”, caracterizado pelo inevitável progresso tecnológico que escraviza a humanidade, e seus hibridismos e simbioses com o mundo das máquinas. Ao longo do século XX, e se consolidando plenamente nesta primeira década do século XXI, a tecnologia moderna, especialmente nas áreas da medicina, da informática e da robótica, engendrou inventos que servem como extensões dos músculos humanos, de seu sistema nervoso, de olhos e ouvidos, de reprodução de seus diversos órgãos, numa junção entre a ciência da Biologia e elementos da Mecânica, onde a nanotecnologia também tem um aspecto inovador.

Giger percebeu isso ainda no final dos anos de 1960, quando já trabalhava com o conceito de biomecanoide, que caracteriza toda a extensão de sua singular arte. Os chamados arquétipos dessa sua arte primordial podem ser encontrados nas narrativas fantásticas do Fausto, do Golem da tradição hebraica e na criatura criada pelo Dr. Frankenstein, histórias que se confundem com a realidade e que fazem parte do inconsciente coletivo. Podemos exemplificar com a criatura do Dr. Frankenstein, que já está no imaginário de todos, sua imagem é clássica e não se dilui em nossa mente, basta lembrar do nome Frankenstein (que é o nome de seu criador, a criatura não tem nome!) que imediatamente temos a elaboração mental do ser monstruoso. Giger, artista visionário e inovador, também conseguiu isso na contemporaneidade: todos lembram da terrível criatura do filme ALIENS, sua mais notória criação. Giger transportou para sua arte a violência e a destruição sem precedentes do século XX, de guerras televisionadas, revoluções sanguinárias, genocídio, brutalidade de agentes secretos do Estado, regimes totalitários, incluindo a nova versão do terrorismo na modernidade…”

Jorge Bandeira em: Palavra do Fingidor

“H. R. Giger is recognized as one of the world’s foremost artists of Fantastic Realism. Born in 1940 to a chemist’s family in Chur, Switzerland, he moved in 1962 to Zurich, where he studied architecture and industrial design at the School of Applied Arts. By 1964 he was producing his first artworks, mostly ink drawings and oil paintings, resulting in his first solo exhibition in 1966, followed by the publication and world-wide distribution of his first poster edition in 1969. Shortly after, he discovered the airbrush and, along with it, his own unique freehand painting style, leading to the creation of many of his most well known works, the surrealistic Biomechanical dreamscapes, which formed the cornerstone of his fame. To date, more than 20 books have been published about Giger’s art…”

Fonte/ source: http://artmight.com/Artists/H.R.Giger-279c.html

Sites relacionados com o artista: http://www.hrgiger.com http://www.hrgigermuseum.com http://www.giger.com © sala 17/ António Marques 2012