Projectos de Desenho; Três reflexões decorrentes dos trabalhos finais dos alunos

1ª Reflexão: É interessante analisar os resultados finais deste projecto de desenho (enunciado aqui e resultados finais aqui) e verificar a importância de encarar os esboços – a maquetização, no fundo – com a devida seriedade. É um desafio para alguns alunos encarar o projecto e a planificação de um trabalho – mesmo sendo de cariz artístico e desse modo, mais supostamente atreito à improvisação do que à planificação prévia – como uma ajuda na divisão e sistematização dos problemas a resolver. Questões como o tema, a composição, a expressão, a cor e a técnica – só para mencionar algumas – testam-se e corrigem-se muito mais facilmente num esboço do que no suporte final. Por isso, as conclusões que se tiram e os esboços finais que se aprovam devem ser levados a sério, significando o trabalho final apenas um desafio de execução técnica e de ampliação para um formato maior.

Não interiorizar devidamente esta metodologia para um projecto de desenho implica que, ao executar o trabalho final, todos esses problemas abordados, discutidos e supostamente resolvidos nos esboços se voltam a colocar novamente.

2ª Reflexão: Outro factor muitas vezes observado neste casos é a dificuldade da manutenção do traçado expressivo e espontâneo que está presente nos esboços e que fica subitamente ausente nos trabalhos finais. Podemos explicar isto parcialmente com a angustia sentida pelos alunos de ter de lidar com o suporte final de maior formato. No entanto, também esta questão deveria ser encarada no âmbito do projecto, levando em conta um traçado e uma abordagem técnica que, num formato bastante maior, assegurasse essa desejada espontaneidade, ou pelo menos, que transmitisse essa sensação. Num exemplo simples, um esboço expressivo em pequeno formato realizado com caneta de tinta, ao ser transferido para um suporte maior não poderá ser executado com uma caneta da mesma espessura, sob pena de obtermos um resultados completamente diferente do esperado.

3ª Reflexão: É também muitas vezes notória a dificuldade em planear uma composição em grande formato. Existe a tendência para incorporar muito detalhe e/ou muitos objectos, presumivelmente necessários para “encher” visualmente o suporte. Esta particularidade é perceptível quando, face a um trabalho finalizado, conseguimos extrair enquadramentos de pormenor por vezes mais interessantes do que a composição completa…

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Marcelo Ricardo; Maquete – aprox, 21×45 cm (1), trabalho final – 60×252 cm (2) e pormenores (3)(4) num percurso que, independentemente do resultado final absoluto, se revelou extremamente coerente.

© Sala 17/ António Marques 2012