Sobre o Diário Gráfico…

Imagens: Diários gráficos de alunos da Escola Secundária de Santa Maria – Sintra (10º, 11º e 12º ano) 2014-2018

O que é um Diário Gráfico (DG) e para que serve?

Um diário gráfico é um documento que contém registos gráficos produzidos pelo aluno e é encarado como um recurso de grande importância na aprendizagem do desenho, servindo de complemento às unidades de trabalho desenvolvidas na aula. A sua portabilidade torna o aluno independente face ao espaço físico, podendo utilizá-lo no interior ou no exterior da sala de aula, dentro ou fora do horário escolar. Como ferramenta de apoio às unidades de trabalho a realizar nas aulas, o DG é um local adequado para a construção de percursos criativos que vão desde o “brainstorming” para as primeiras ideias até à maturação e desenvolvimento de uma solução gráfica finalizada. Por facilitar a estruturação dos percursos criativos, o DG confere-lhes consistência e solidez, contrariando os riscos de uma abordagem superficial às tarefas a concretizar.

        

Quais os melhores formatos?

De entre os formatos possíveis, o formato A5 (148 x 210 mm) é talvez um dos melhores compromissos entre a portabilidade e a área disponível para desenho. O formato A4 (210 x 297 mm) é preferido por alguns pela sua maior área. Caso o professor não determine um formato específico, a decisão será do aluno, tendo em conta que um DG maior e mais pesado poderá

desincentivar o seu uso quotidiano. Muitos estudantes valorizam a ideia de ter um segundo diário gráfico de formato A6, mais pequeno (105 x 148 mm) para registos de esboços ou ideias que poderão ser mais tarde aprofundadas no diário gráfico principal.

Independentemente do formato, a sua constituição deve ser robusta; a capa deve ser rígida e a encadernação costurada. Marcas como a Canson, Derwent, Fabriano ou Windsor & Newton oferecem boas propostas. As encadernações coladas ou com espiral devem ser evitadas.

O que irá conter um Diário Gráfico?

O DG destina-se a executar registos de vária ordem, nomeadamente:

  • Pesquisa de soluções possíveis para os exercícios propostos na aula;

  • Registos da realidade visível patente na experiência quotidiana; pessoas, espaços, objectos e situações cujo registo é feito através de um tipo de desenho onde o essencial tem prioridade sobre o acessório;

  • Resolução de “problemas” de índole gráfica/plástica propostos pelo professor com recurso ao uso de meios e técnicas específicos (desenho, pintura, colagem, etc.), assim como métodos de análise e síntese na representação;

  • Registos realizados por livre iniciativa do aluno – de temática livre ou sugerida – susceptíveis de serem explorados e desenvolvidos em diferentes contextos, dentro e fora do âmbito da disciplina.

       

Sobre a natureza dos conteúdos no DG…

Torna as coisas pessoais…

O DG deve conter material original. Registos baseados em fontes alheias, sejam elas reproduções de desenhos, ilustrações ou fotografias são de evitar, excepto quando haja uma intenção propositada em explorar essas referências de forma criativa, na técnica e/ou no conteúdo.

Aprofunda as ideias…

A vontade de aprofundar uma ideia torna-se visível quando exploras no DG várias alternativas de resolução gráfica para um mesmo problema, usando diferentes abordagens. Esse procedimento, além de útil para o teu trabalho, demonstra ao professor dois dos factores que são mais valorizados num aluno; empenho e um desejo de aperfeiçoamento contínuo.

Explora, experimenta, arrisca…

É importante seguir um percurso consistente, insistindo na desenvolvimento continuado de uma técnica ou tema específico. No entanto, arriscar novos caminhos é também vital para a aprendizagem de uma expressão visual criativa. Experimenta e utiliza técnicas novas e/ou novas combinações de técnicas já interiorizadas sempre que te for possível, mesmo correndo o risco de por vezes obter resultados aquém do esperado.

Usa o desenho para encontrar soluções…

Uma das funções do DG é a de auxiliar no planeamento e no refinamento de trabalhos de maior dimensão. Esse papel envolve a realização de estudos de composição e esboços de organização gráfica. O desenho não é apenas uma forma de expressão artística; é também uma forma de estruturar o pensamento visual e de encontrar soluções para problemas.

Faz anotações…

A finalidade dos registos que executas e apresentas no DG deve ser tão clara quanto possível. O apoio das anotações escritas é importante pois é um óptimo recurso para clarificar ideias e intenções. Além disso, as anotações podem também ser usadas para comunicares um juízo crítico sobre o teu trabalho no DG.

Sê consequente…

Apesar de ser um documento pessoal, tudo o que estiver registado ou inscrito no diário gráfico destina-se a ser escrutinado e, inevitavelmente, irá revelar os teus interesses e capacidades. Por isso tudo o que lá estiver – sejam tarefas definidas pelo professor ou trabalhos de livre iniciativa – deverá estar por uma razão que seja clara e demonstrar uma intenção identificável para quem analise o teu trabalho.

Dá uma hipótese ao “erro”…

Aprender a ver um potencial oculto nos registos que falharam nos seus objectivos iniciais é uma qualidade que deves estimular. Muitos registos “falhados” podem seguir um novo rumo inesperado com resultados surpreendentes e constituir valiosas oportunidades de aprendizagem.

Sobre a apresentação do DG

As primeiras impressões são importantes…

Trata o teu DG com o respeito que o teu trabalho deve merecer. O bom estado da encadernação, a limpeza, uma correcta colagem do directório – com as tarefas devidamente inscritas – a ausência de vestígios de cola ou manchas inadvertidas irão constituir uma primeira impressão positiva.

Mantém as coisas simples…

Personalizar o teu DG pode ser uma óptima ideia. No entanto, evita capas demasiado trabalhadas, frisos decorativos, títulos ou legendas demasiado intrusivas que possam ser distractivas e desviar a atenção do trabalho que realmente interessa. Escreve anotações a lápis, caneta cinza ou preta de forma claramente legível mas contida. Limita o número de registos por página, dando espaço de visão adequado para cada um deles.

A ordem é importante…

Quase todas as tarefas a executar no DG irão envolver múltiplas páginas que terão por isso uma afinidade entre si ou farão parte de uma sequência ordenada que demonstre o desenvolvimento de uma ideia. Poderão ainda corresponder a fases numa determinada narrativa visual. Intercalar séries incompletas ou fragmentadas é um dos maiores erros cometidos pelos estudantes na apresentação do seu trabalho; perde-se assim o ritmo de análise e o encadeamento lógico do trabalho. Deixar páginas em branco entre registos ou séries também produz esse efeito negativo. Faz um plano prévio para determinar onde e como as páginas serão ocupadas.

“Mais” não quer dizer “Melhor”…

O DG é um documento “vivo” e passível de se transformar a todo o momento. Isto quer dizer – entre outras coisas – que podes reformular ou repetir trabalhos mais fracos que poderiam deixar uma impressão negativa sobre todo o conjunto. Em alguns casos, trabalhos mais fracos cuja reformulação seja inviável, devem pura e simplesmente ser retirados. Fala com o teu professor para formares uma opinião fundamentada sobre aquilo que deves manter, reformular ou retirar do teu DG.

E agora… Ao trabalho!

© António Marques/ Sala17 – 2018/2019

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